Á ESPERA
Quando a morte chegar e com mão fria e dura
afagar meu cabelo, achegando-se a mim;
quando um hálito negro assoprar amargura
e cobrir meu olhar com tristezas assim ...
quando o vento parar de fazer travessura,
encolhendo-se ao pé das montanhas sem fim,
assustado por ver como a negra figura
implacável já vem, com andar de cetim ...
Quando a vida fugir aos soluços; e quando
já ninguém entender o que entendo tão bem,
longe irei me sentar, como à espera de alguém ...
quando a morte chegar, e ao me ver esperando,
admirada indagar: "quem esperas aqui?"
eu direi simplesmente: "Esperava por ti ..."